Textos

Ser Movente
Minha memória não envolve fatos ou pessoas – envolve lugares, perfumes, músicas e luzes.
Durante longo tempo, sempre que o outono chegava, sentia uma profunda tristeza por nada – ou quase nada.
Ruas da cidade trazem com frequência lembranças longínquas. Lembrando disso, passei hoje por uma rua, um bairro onde não vou há pelo menos sete anos.  Senti um quê de saudosismo, de uma pequena tristeza, um respirar fundo, olhar para o outro lado e continuar a vida.

Não há mais tempo para saudade, para pensar em passado, para querer coisas impossíveis. Hoje não sonho mais – crio coisas e fatos possíveis. Sonhar demais leva a erros, muitas vezes catastróficos.

Durante muito tempo pensei que sonhar era tudo na vida – era a mola mestra que impulsionava para a realização de coisas. Hoje percebo que sonho é um atraso de vida. Que sonho segura pés, mãos e mente e estagna, impedindo a visão do possível. Fazer o possível dá alegria. Pensar no possível e realiza-lo ajuda a vencer o tempo.

Pensando em vencer o tempo, todo final de túnel tem uma luz, e quando a luz chega, fica à mostra cicatrizes. Porém, à luz existem estradas, fáceis ou difíceis, porém possíveis de serem percorridas. Por tempo demais pensei que túneis não possuíam saídas, que eram sempre escuros, mas o fator hora certa fez o seu trabalho, saí do túnel e encontrei estradas,

O medo do novo pode fazer com que fiquemos no mesmo lugar, porém somos semoventes. Tempos que por um pé na frente do outro, e querendo ou não, a vida é como uma escada rolante – ao final tem sempre alguém pra te empurrar. Não dá pra ficar parado, e é neste momento que a saudade morre!
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 06/08/2013
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