Textos

Vigésimo sétimo dia

Amantes


De dia
Vaga o vento
De noite
Vaga o moreno
Vaga por ruas, perdido
Por postes escuros
Por luzes brilhantes
Por sons ressonantes
Pelo corpo da amante
Até a virada do dia

E, no sono esculpido
Por bocas e braços
Por anéis e laços
Em pernas trançadas
Encontra o descanso
Que não dura hora
E retorna o balanço
De corpos dançantes

E, na virada em concha
Nas ondas do mar
No abraço reencontra
A paz e o sorriso
Da noite mal dormida
A lida esquecida
Nos braços da amada.

Navegante vadio
Que nas trocas errantes
Perdeu o brilho do olhar
O talento da poesia
Pensa que já é dia
Ouvindo o ronco do grilo
Que no tempo parou de cantar

E,
No espaço outrora vazio
Cantam-se novos hinos
Acordando pássaros noturnos
Que chegam aqui
Somente pra admirar
Atos de amor
Na luz do luar
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 28/01/2007
Alterado em 08/12/2007
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