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Chocolate


Sexta-feira! Fim de tarde. Saio do trabalho e tenho uma pontinha de fome. Na verdade, vontade de comer um doce.
Ando a passos largos pela calçada. Sou sempre assim. Sempre correndo. Andando apressada, em busca do mundo. Semana cheia de trabalho, de coisas novas, de desafios. Enfim, sexta-feira.

Paro na esquina, e de repente me decido. Vou à doceria. Nos poucos passos que separam a esquina da doceria é suficiente pra pensar infindáveis coisas, e uma delas é sobre a máfia do chocolate. Meu doce preferido. Não sou fanática por doces, mas por uma disfunção orgânica necessito de açúcar. Felizmente não tenho problemas com a balança, senão seria um caso sério. Não tomo adoçantes nem nada diet. Exceto Coca-cola. Por preferência de gosto prefiro a diet.



Voltando à máfia do chocolate – há sete meses não consumo nada com chocolate. Foi um acordo mútuo entre eu e o chocolate. Um ano. Seria uma espécie de penitência, de promessa, de desafio para mim mesma ficar sem algo que realmente me dá prazer – o danado do chocolate. Não que eu comesse muitos chocolates ao dia, mas pelo menos uma barra era necessário. Todos os dias. E o que dizer dos bombons com cereja e licor marrasquino?

Até me comprometer comigo mesma em não comer chocolates, não havia percebido que o mundo é do chocolate. Como preciso de açúcar, tenho freqüentado docerias para comprar doces, mas o grande problema é que os melhores doces são à base de chocolate. Nada está sem chocolate. Por isso falo de máfia do chocolate.


Entro na doceria, percorro todas as prateleiras, olho todos os produtos. Perco lá dentro uns vinte minutos e nada me chama a atenção. Somente os chocolates: brownies, mousses, tabletes, bombons, trufas, talento – ah, todos que me conhecem sabem que sou doida por um talento – o de embalagem roxa – com uvas passas; o vermelho, com amêndoas, o verde, com castanhas – o branco não! Não suporto chocolate branco.

Olho tudo. Compro uma batata chips temperada com cebolinha, um potinho de doce de leite, um pacotinho de torradas temperadas e um pacotinho de marshmallow. Bem pequeno. E cadê os doces? Não me apetecem! Somente os chocolates! Bem, como sou disciplinada, pago a conta e saio de lá feliz. Feliz? Sim, feliz sim senhor! Afinal, provo a cada dia, a mim mesma, que posso ficar um ano inteiro sem chocolate!


 
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 14/09/2008
Alterado em 29/06/2020
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