Alucinações caóticas
Ok, Ok, Ok!
Você está certo.
Estou sendo redundante. Alucinação é desordem de qualquer natureza, e caos é também desordem. Então estou falando em desordem da desordem. Deu pra entender?
Não!
Tudo bem. Nem eu!
Isto é resultado de quarenta horas sem dormir.
Bem, mas que existe, ah, isto existe! Alucinação Caótica.
Lembro-me de uma ocasião, uns 18 anos atrás, quando tive uma pneumonia que os médicos não descobriram, e virou derrame pleural. Ou seja, encheu de água a minha pleura.
Ficou estarrecido?
Não fique!
Pleura é uma membrana que recobre o pulmão. Acho que é isso.
Fiquei internada por uma semana por conta disso. Tomei tantos remédios que tive as alucinações mais fantásticas. Uma delas é que o meu namorado me dava um pedaço de pizza quatro queijos na boca. Eu chegava a ver o queijo derretido escorrendo pelas bordas do pedaço. Isto foi alucinação.
Quando melhorei um pouco, fomos à uma pizzaria lá na Alameda Itu, e pedimos uma pizza quatro queijos.
Comi metade!
Acreditam nisso?
Estava pesando 48 quilos e comi meia pizza!
Bom, depois tive alucinações caóticas!
Depois disso, houve uma outra ocasião em que acreditava estar apaixonada pelo homem certo, na hora certa, no lugar certo. E quando descobri a não correspondência ao fato, fiquei muito infeliz.
Não dormia. Não comia.
Naquela época não cheguei a ficar 40 horas sem dormir, mas por longo e longo tempo só conseguia dormir uma ou duas horas por noite.
Um dia, por incrível que pareça, era 12 de junho, depois de uma grande decepção, fiquei super triste e fui para a casa de uma amiga. A maluca me deu um comprimido para dormir. Fez-me tomá-lo na hora. Fomos então até uma padaria bastante conhecida da cidade tomar sopa. Lá, esquecemos do comprimidinho e tomamos uma garrafinha de vinho. Daquelas pequeninas. Tomei uma taça, e foi mais que suficiente pra dar uma alucinação caótica! Apaguei no meio da rua. Literalmente. Não caí, não. Estava de pé, caminhando. Só me lembro de ter dado a chave do carro pra amiga e dizer que não tinha condições de dirigir. Ela pegou meu carro, trouxe até onde eu estava, eu entrei – não lembro. Fomos até a casa dela, desci do carro – não lembro, e fui até o quarto – não lembro. Deitei na cama e dormi – não lembro. Só lembro dos sonhos. Totalmente caóticos.
Ali também descobri que paixões podem ser alucinantes e totalmente caóticas.
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 10/06/2007
Alterado em 24/04/2026