Textos

Vida Enamorada

Algo interessante me ocorreu há pouco. Algo que muitos já pensaram, e no entanto, pela minha crença no ser humano, não havia pensado.

Pensava sobre aproveitamento. Há pessoas que sabem aproveitar as oportunidades que a vida lhe traz. Aproveita de tal forma que acaba tornando verdadeiros relacionamentos, trabalhos, amores, amizades, etc.

Nada melhor quando se está muito cansado, encontrar um banco, mesmo velho, para sentar. E com sede, um copo de água, mesmo insalubre, para matar a sede. E, ainda é muito comum, muitos dizerem que melhor mal acompanhado do que só. O contrário do velho ditado.

Tem gente que prefere o certo sem graça, ao incerto que o satisfaça. Melhor ter um chinelo velho pra por nos pés, que andar descalço trilhas e trilhas em busca do bom calçado. Melhor recolher restos pelos cantos, que lutar para conquistas maiores. Melhor ter um cobertor esburacado para as noites frias, que sair e lutar para conquistar uma cobertura para a vida toda.

Para estas pessoas, deixo aqui meu repúdio. Admiro a luta, as derrotas e as vitórias. A vida é feita disso. Lutas, derrotas e vitórias. A vida é feita de cada dia que nasce, de cada sol a se levantar no horizonte, de cada lua que brilha no céu. A vida não é feita de restos, de pouco ou quase nada. A vida não é feita de amor de mentira, de amor de substituição, de amor que paga o pão. A vida é feita de luta! Muita luta. E a cada luta, o sabor da conquista, ou as lágrimas da derrota. Mas mesmo em cada derrota, há a vitória de se ter lutado.

Não acredito em entrega. Quem se entrega, já morreu. E não percebeu! Quem come um pouquinho hoje, para guardar os restos azedos para amanhã, simplesmente não tem coragem de recomeçar, do zero, no dia seguinte. Quer primeiro, a barriga cheia de porcaria, porque afinal, não sabe se terá coragem de lutar por comida nova.

Mas, quem sou p’ra apontar o dedo nas feridas alheias e dizer o que é certo e o que é errado? Ninguém. Sou somente alguém que pauta sua vida nas descobertas, nas lutas, no trabalho, na vida, no sorriso, na alegria, e na eterna busca do bem maior – o que realmente me satisfaça, e não em mentirinhas doces que enganem o meu dia-a-dia.
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 12/06/2007
Alterado em 01/12/2007
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