Textos

Marido Arquiteto

Conheço uma senhora, cujo ex-marido é um arquiteto. Arquiteto famoso. Cátedra numa Universidade renomada.
A pobre mulher sofreu todo tipo de trauma enquanto era casada com o digníssimo Arquiteto.
Agüentava suas amantes, seus disparates, sua prepotência. Aniquilada, um dia resolveu se separar. Passou anos à procura de um grande amor, mas já se sentia em fim de estrada. Não esperava mais nada. Sabia que estava acabada, acima do peso, cabelos já ralos e brancos, pele oleosa, rugas e mais rugas em torno dos olhos e da boca.
Até que do nada, encontrou alguém. Alguém finalmente para amar. Alguém meigo, carinhoso, até mesmo romântico, fogoso. Ficou envaidecida. Rejuvenesceu. Até pensou em emagrecer, mas o moçoilo gostava de gorditas, portanto por que se preocupar em não comer chocolates aos quilos?
Emancebou-se. Pôs o rapaz para dentro de casa e passou a tratá-lo com finas iguarias. Foi um ano de puro amor. Enlouquecedor. Vivia feliz da vida. Sorrindo à toa. Só não sabia que o moço tinha prazo de validade.

Sem mais nem menos, descobriu a realidade crua. Aquilo era somente uma passagem, passagem de tempo – um tempo para o rapaz, que no fundo de sua alma também, ainda sonhava com seu grande amor.

Olhou-se no espelho. Lembrou-se do arquiteto e pensou como a vida era ingrata. Dava-lhe presentes, mas presentes de cristal, que ao cair no solo duro, virava fragmentos impossíveis de serem emendados.
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 25/10/2007
Alterado em 23/04/2026
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