Restou o chaveiro
As chaves eram brilhantes.
Passaram por poucas mãos. Eram quase que únicas. Gostava de senti-las entre os dedos. Eram um sonho. Sentia-se poderosa. E assim, com asas abertas ao vento, ia na distância sonhando os sonhos mais loucos.
Viveu um grande amor. Um louco amor. E as chaves sempre ali, presentes, a mostrar que tudo podia. O amor se foi – não sem mágoa, não sem lágrimas, não sem tristezas – mas as chaves permaneceram.
Olhava-as e sabia que eram sua escolha. Que a si pertenciam. Não as esquecia onde quer que fosse. Estavam sempre à vista. Faziam parte de sua mão, de seu braço – eram já um traço de sua personalidade.
Mas um dia elas tiveram traçados novos caminhos. Não olhou para trás. Passos trôpegos foi adiante. Lágrimas. Mas por que lágrimas? Fizera tudo errado! Extrapolara todos os limites. Sabia disso! Então, por que lágrimas?
Porque restara somente o chaveiro.
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 08/11/2007
Alterado em 23/04/2026
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