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A Vitrine - BVIW
A loja ficava na esquina da rua principal com a rua dos bancos, de frente para a Praça da Igreja Matriz. Todos na cidade conheciam a loja. E sua vitrine com cortinas de um marrom quase preto. Não havia luzes.
Muitos garotos, pelo menos uma vez, pensaram em quebrar o vidro para ver o que havia. Se é que havia alguma coisa. Mas desistiam. Ali, ninguém entrava nem saía.  Os mais velhos tinham vagas lembranças do que fora outrora, a loja. Mas ninguém sabia como fechara, nem por quê. Até o dia em que a fachada amanheceu limpa e a parede recém pintada. Mas a cortina permanecia lá.
Iniciou-se as conversas, os olhares, e garotos curiosos tentavam ver através de frestas.
A história se espalhou pela cidade! Virou caminho de todos aquela esquina. Na Praça até o Padre Bento vinha olhar.  E se formava um burburinho. Todos querendo saber o que acontecia por trás daquela vitrine.
Às vésperas do dia dos namorados, a vitrine amanheceu sem a velha cortina suja. Em seu lugar havia flores,  corações e muito chocolate. De todos os tipos e sabores. E toda iluminada, aromatizada,  e no centro da loja, em um convite a entrar, estava a Cigana Esmeralda, em seus trajes vermelhos - aqueles mesmos que todos já conheciam de suas perambuladas pela cidade. E seu sorriso, tão cativante, e suas mãos tão cheias de guloseimas fizeram a cidade formar filas à porta da loja. E o mistério da vitrine teve fim.
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 22/10/2025
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