A exposição - BVIW
Fazia seis anos que havia perdido, de forma traumática, o cargo de executiva em uma multinacional, e já estava com 48 anos. Conseguira, fora de sua formação, através de um processo seletivo longo, uma vaga em uma grande empresa do ramo de serviços, cultura e lazer, e fazia um bom trabalho. Abaixo de tudo que fora profissionalmente, porém há tanto tempo em subempregos, estava feliz.
Para a inauguração de uma grande exposição climática, foi destacada para receber os convidados – gerentes, diretores, políticos e jornalistas. Reconheceu pelo nome, um senhor que havia trabalhado naquela unidade, e imediatamente, de forma gentil e calorosa o cumprimentou, mostrando que o reconhecia. Ele a tratou com descaso e deboche, em frente aos demais convidados – como se fosse um profundo absurdo uma recepcionista se dirigir a um grande homem.
Envergonhada, passou ao próximo convidado, que nem sequer respondeu ao seu cumprimento – esperar o quê se um funcionário de sua própria organização a minimizara daquela forma?
Continuou seu trabalho, porém sem a alegria nos olhos por participar de um grande evento. Ao final, para completar o dia, o referido senhor passa por ela, junto com seus parceiros, e fala para eles: essa é a tal que diz me conhecer. Ergue a cabeça, olha bem para eles e responde: Não, eu não o conheço. Simplesmente fui educada em meu trabalho. Vira-lhe as costas, junta-se a seus colegas e vai embora. Aquele tinha sido um dia de trabalho para ser esquecido.
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 18/03/2026
Alterado em 29/03/2026