Textos

Mãe - BVIW
A cadeira no ponto onde as paredes se encontravam, estava quase sempre vazia, mas, em determinados dias era ocupada. De lá se via a janela a descortinar para o pomar, e o brilho do dia. A trilha em frente, seguia até a pequena casa vazia, outrora ocupada pela menina de longos cabelos, ainda adolescente. Ao sentar ali, olhos ansiosos a espera do marido que voltava do pequeno vilarejo. Talvez, tão somente talvez, trouxesse algum envelope vindo da cidade grande.
Quando, por sorte, vinha a carta, aguardava ansiosa o filho - olhos de seus olhos -  também adolescente, chegar da roça para ler em voz alta, o que a filha contava. A menina  se casara com quatorze anos. Dois meses depois fora embora para aquela cidade longínqua, inacessível, vivendo na casa alheia, num mundo de carros barulhentos, tão distante. Tão assustador. Ficara somente o canto, a janela, a trilha, a casa vazia e a espera pelas cartas. Ali se encolhia, pensando que um dia os outros também iriam para longe
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 21/10/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários