Textos

Nosso Louco Amor

Nunca entendi aquelas pessoas que caíam doentes de amor. Ou que falavam daquele amor sublime que as faziam perder o fôlego, não comer, não dormir. Sorrir por nada ou simplesmente chorar sem motivos.
Nunca entendi pessoas que se deslocavam por longas distâncias simplesmente pra encontrar o ente amado, ficavam algumas horas, e no minuto seguinte que se separavam já choravam de saudades.
Também não entendi pessoas que trocavam ou se propunham a trocar uma vida confortável, feita, estabilizada em nome de um louco amor, e depois de perderem tudo que construíram numa vida, continuavam a falar em amor.
Difícil ainda entender aqueles que depois de um, dois ou mais anos sem ver o ente amado, mesmo estando em outras vidas, por vezes felizes, param, olhar perdido, pensamento fugindo na distância, a pensar, quem sabe, em momentos fortuitos de um passado distante.
Como entender este olhar perdido, silêncio absoluto, que seja por segundos, onde a pessoa definitivamente não está ali, talvez navegando por distâncias incompreensíveis, por camas desfeitas, por abraços apertados? Como compreender este louco amor que permanece, para alguns, mesmo com o passar dos anos?
Nunca compreendi como este dito amor pode permanecer, sem ser alimentado, passando por cima de mágoas e cicatrizes, no correr dos anos.
Na realidade, nunca compreendi este sentimento que nutre pessoas e permanece intocado, vezes sem conta, por uma vida.
Isto realmente é possível, ou não passa simplesmente de palavras de poeta? Há realmente um rufar de tambores dentro do peito quando um nome é mencionado, quando uma voz parecida é ouvida, quando um velho objeto é tocado, quando uma foto há muito guardada é revista? É possível fechar os olhos, em uma mesa de bar e sentir a presença há muito tempo esquecida?
É possível alguém, completamente racional, parar, por segundos que seja, em meio a uma multidão, e sentir uma saudade gritante dentro do peito?
Não creio! Isto deve ser ilusão de poeta, pensamento de uma mente de ébrio, ou de alguém profundamente louco que acredita que um amor é para sempre.
No que você crê?
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 13/04/2008
Alterado em 29/06/2009
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